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As danças guerreiras du tio Sam

“É muito duro para bastantes americanos ter de admi-
tir que os nossos jovens patriotas, os nossos bravos
rapazes americanos, possam alinhar velhos, mulhe-
res, crianças e bebés e abatê-los a sangue frio...
Como explicar isto?”
MIKE WALLACE (jornalista) entrevistado pela
“CBS Evening News”, em 24/11/69, quando foi
conhecido o massacre de My Lai

Quando estas linhas forem publicadas, é mais que provável (será?) que
esteja terminada a 2ª Guerra do Golfo, a contento da agressão
anglo-americana. Entretanto, o Mundo conheceu mais um conflito
desencadeado pelos EUA, que lançou sobre o Iraque as suas bombas
inteligentes e outras semi-analfabetas, que desencadeou ataques cirúrgicos
e outros de clinica geral, que provocou danos colaterais e outros
calculados ao milímetro.Tudo para erradicar uma ditadura, entre tantas outras disfarçadas de
republicano-socialistas ou democrático-parlamentares, uma Autocracia entre
tantas outras ostensivamente monárquicas absolutas, teocráticas
fundamentalistas e reinozinhos de opereta. Uma diferença: enquanto todos
respeitaram, de bom ou mau grado, o “Diktat” da Democracia Americana, o
tirano de Bagdade ousou desafiar os seus princípios omnipotentes e
omnipresentes, e o resultado viu-se - o nacional-socialismo árabe de
Saddam baqueou perante o fascismo-democrático yankee de Bush.Neste trabalho, ir-nos-emos ocupar do historial bélico norte-americano,
das danças guerreiras do Tio Sam, dirigidos pela batuta dos seus
presidenciais maestros.
TIO SAM NO CONSERVATÒRIO

(Discípulo aplicado dos grandes maestros europeus, o Tio Sam executou,
diligentemente, o seu trabalho de casa, e pôs os povos do continente
americano a dançar, atabalhoadamente, os frenéticos ritmos dos seus
“jazebandistas”)

1775-1783 - GUERRA DA INDEPENDÊNCIA - Os colonos lutam pela sua
independência face à Inglaterra, alcançando em 4 de Julho de 1776. Os
treze novos estados formam uma Confederação até 1789 e unificam-se sob a
Presidência de George Washington, federalista (1789-1797)

1795-1890 - AS GUERRAS ÍNDIAS - A longa guerra de extermínio, conduzida
contra os Índios, revestiu o aspecto de um verdadeiro genocídio humano e
cultural. Começada, praticamente, com a Independência, é a partir de 1795
que se sistematiza e que, com maior ou menor intensidade, se prolonga por
quase um século. A última Guerra Índia (1889-1890) culmina com a batalha
de Wounded Knee, onde é quebrada a resistência Sioux-Cheyenne ao avanço
dos colonos para Oeste. Esta longa guerra foi conduzida por 23
Presidentes: seis democratas, seis republicanos, quatro
democratas-republicanos, quatro whigs (liberais), dois federalistas e um
unionista.

1812-1814 - 2ª GUERRA DA INDEPENDÊNCIA - Os EUA defrontam, novamente, os
Britânicos, alcançando a paz vitoriosa em 24/12/1814. Presidente Madison,
democrata-republicano (1809-1817).

1846-1848 - GUERRA DO MÉXICO - Expansão territorial à custa do vizinho do
Sul. Em 1848, faziam parte dos EUA, a efémera República do Texas

(1836-1845), assim como vastos territórios subtraídos ao México, que
constituíram os novos estados do Novo México, Arizona, Nevada, Utah,
Califórnia. Presidente no poder: Polk, democrata (1845-1849).

1852-1853 - ARGENTINA - Soldados enviados para Buenos Aires, para proteger
interesses americanos. Presidente Filmore, whig
(1850-1853).
1853-1854 - JAPÃO - Política de canhoneira: a almirante Perry força o
Japão a abrir os seus portos aos navios Americanos. Presidente Pierce,
democrata (1853-1857).

1855 - URUGUAI - Os marines ocupam Montevideu, enquanto o país é agitado
por uma revolução. Presidente Pierce.

1859 - CHINA - Intervenção para garantir a presença Americana, em Changai.
Presidente Buchanan, democrata (1857-1861).

1860 - ANGOLA - Missão de segurança, durante uma revolta indígena.
Presidente Buchanan.

1861-1865 - GUERRA DA SECESSÃO - O Norte dos EUA, urbano e industrial,
acaba com a existência dos Estados Confederados da América, agrários e
esclavagistas, estabelecidos no Sul da União, e dela cindidos. Guerra
fratricida e extremamente cruenta. Presidente dos EUA: Abraham Lincoln,
republicano (1861-1865).

1893 - HAWAII - Missão de segurança, onde é proclamada uma República
fantoche, anexada pelos EUA, em 1898. Presidente Benjamin Harrison,
republicano (1898-1893).

1894 - NICARÁGUA - Soldados enviados para proteger interesses americanos.
Presidente Cleveland, democrata (1893-1897).

1898 - GUERRA HISPANO-AMERICANA - Sob pretexto de auxiliar os
independentistas Cubanos, os EUA travam uma guerra vitoriosa com a
Espanha, obtêm as suas colónias do Pacífico, anexam Porto Rico e Filipinas
e impõem o Protectorado a Cuba. Presidente Mc Kinley, republicano
(1897-1901).

1900-1901 - GUERRA DOS “BOXERS” - Os EUA integram uma coligação que vence
a revolta nacionalista dos “Boxers”, sociedade secreta que pretendia tirar
a China da sua situação semi-colonial. Fazem parte da coligação os EUA, a
Grã-Bretanha, França, Alemanha, Áustria, Rússia, Espanha, Bélgica, Holanda
e Japão. Presidente Mc Kinley e Theodore Roosevelt (1901-1909), ambos
republicanos.

1904 - REPÚBLICA DOMINICANA - Ocupação militar, durante a
presidência de
Theodore Roosevelt.

1906 - AMÉRICA LATINA - Ocupação militar de Cuba, Guatemala, El Salvador e

Nicarágua. Presidente: Theodore Roosevelt.

1911 - HONDURAS - Ocupação militar. Presidente Taft, republicano (1909-1913).

1912 - NICARÁGUA - Os marines desembarcam na Nicarágua, impondo-lhe a
ocupação, que dura até 1932. Presidente Taft.

1914-1916 - MÉXICO - Intervenção militar contra a Revolução Mexicana.

Presidente Wilson, democrata (1913-1921).

1915 - HAITI - Intervenção para esmagar uma revolta popular. O país fica
ocupado até 1934. Presidente Wilson.

1916 - REPÚBLICA DOMINICANA - Envio de tropas, que ocupam o país até 1934.

Presidente Wilson.

1917-1918 - 1ª GUERRA MUNDIAL - Os EUA associam-se à “Entente”
(Grã-Bretanha, França, Rússia), e derrotam as Potências Centrais
(Alemanha, Áustria, Turquia, Bulgária).

Presidente Wilson.
TIO SAM, CHEFE DE UMA BANDA SÓ

(Depois de obter apoteóticos triunfos nos palcos da Europa, o Tio Sam
viu-se à frente de uma Banda, onde só ele podia dar música e pôr metade do
Mundo a dançar ao seu ritmo. A outra metade dançava ao som das
“balalaikas” e dos órgãos de Stalin).

1918-1920 - GUERRA CIVIL RUSSA - Os EUA integram uma coligação que apoia
os “Brancos” na sua luta pela reinstauração do Czarismo e deposição dos
Bolcheviques no Poder. A coligação é formada por EUA, Grã-Bretanha,
França, Japão, além de unidades de ex-prisioneiros checoslovacos. A Rússia
dos Sovietes consegue desbaratar a oposição armada interna e repelir as
forças expedicionárias internacionais. Presidente Wilson.

1941-1945 - 2ª Guerra Mundial - Os EUA, após viverem uma grave crise
económica, regressam ao seu antigo poderio com a “New Deal” do Presidente
Roosevelt. Época de relativa tranquilidade, chamada “esplêndido
isolamento”. Em 1941, os Japoneses atacam Pearl Harbor (Hawai), o que faz
os EUA engrossarem as fileiras Aliadas na sua luta contra o Eixo
Nazi-Fascista. Com a derrota do Eixo, os EUA tornam-se uma superpotência,
rival da URSS, outra vencedora do conflito mundial. As bombas atómicas
sobre Hiroshima e Nagasaki inauguram a era atómica e o período da Guerra
Fria.

Presidentes Franklin Roosevelt (1933-1945) e Truman (1945-1953),
ambos democratas.

1947 - GRÉCIA - Envio de “conselheiros” militares para apoiar as forças de
Direita, ameaçadas pela guerrilha comunista. Presidente Truman.

1950 - PORTO RICO - As tropas americanas reprimem um movimento de
Independência.

Presidente Truman.

1950-1953 - GUERRA DA COREIA - Guerra para impedir a unificação da
Península, após a invasão do Sul pró-ocidental pelas tropas comunistas do
Norte. Os EUA apoiam o governo do Sul, com beneplácito da ONU. A Coreia
acaba por regressar à sua divisão em duas Repúblicas, separadas pelo
paralelo 38. Presidentes Truman e Eisenhower, republicano (1953-1961).

1954 - GUATEMALA - Mercenários, treinados pela CIA e apoiados pela aviação
americana, derrubam o Governo. Presidente Eisenhower.
1958 - LÍBANO - Desembarque de soldados americanos. Presidente Eisenhower.

1961 - CUBA - Exilados Cubanos, apoiados pela CIA, desembarcam na Baía dos
Porcos, com intenção de provocar um levantamento anti-castrista. A
operação salda-se num fracasso. Presidente Kennedy, democrata (1961-1963).

1964 - PANAMÁ - Os marines esmagam um levantamento para obter a
restituição do Canal aos Panamianos. Presidente Lyndon Johnson, democrata
(1963-1969).

1964-1973 - GUERRA DO VIETNAME - Os EUA envolvem-se no conflito
indochinês, após a derrota do colonialismo francês. Apoiam o regime
pró-ocidental do Sul contra a República comunista do Norte. Primeira
grande derrota do imperialismo yankee pelos povos vietnamita, cambojano e
laociano. Primeira grande contestação, à escala nacional e mundial, do
hegemonismo americano. Presidente Johnson e Richard Nixon, republicano

(1969-1974).

1965 - REPÚBLICA DOMINICANA - Sob a cobertura da OEA (Organização dos
Estados Americanos), os EUA envolvem-se militarmente para se oporem à
tomada do poder por um governo revolucionário. Presidente Nixon.

1970 - OMAN - Apoiado por “conselheiros” militares americanos. A marinha
iraniana tenta invadir o Sultanato. Presidente Nixon.

1980-1990 - EL SALVADOR - Os EUA alinham, militarmente, com as forças
governamentais em luta contra a guerrilha de Esquerda. Presidente Jimmy
Carter, democrata (1977-1981) e os republicanos Ronald Reagan (1981-1989)
e George Bush (1989-1993).

1981-1988 - NICARÁGUA - Apoio aos “contras” anti-sandinistas. Presidente
Reagan e Bush (pai).

1983 - GRANADA - Deposição do regime marxista, e sua substituição por um
governo pró-americano. LÍBANO - Quando tentava mediar o conflito libanês,
o exército dos EUA sofre um atentado, que causou 240 vítimas. Presidente
Reagan.

1986 - LÍBIA - Raids da aviação americana sobre várias cidades. Presidente
Bush (pai).

1
989 - FILIPINAS - Os EUA apoiam o Governo contra um golpe de Estado.
PANAMÁ - Operação “Justa Causa” para depor o general Noriega, acusado de
narcotraficante pelos EUA. Presidente Bush (pai).

TIO SAM E O SEU BAILE MANDADO

(Quando a Outra Banda se calou, o Tio Sam tornou-se o monopolizador de
todas as orquestras, corpos de baile e ranchos folclóricos de todo o Mundo
e arredores. Dá-se agora, ao luxo de castigar severamente quem não afina
pelo seu diapasão, não acerta o passo pelo seu andamento ou queira
resistir à sua canção do bandido).

1991 - 1ª GUERRA DO GOLFO - O Iraque invade o Kuwait, em 1990. Saddam
Hussein recusa evacuar o País. Com o aval da ONU, os EUA encabeçam uma
vasta coligação que rechaça o Exército Iraquiano, ao fim de seis semanas
da Operação “Tempestade no Deserto”, mas Saddam mantém-se no poder.

Presidente Bush (pai).

1993 - SOMÁLIA - Intervenção militar, mandatada pela ONU, para permitir a
instauração da paz num país assolado pela guerra civil.

Presidente Bill Clinton, democrata (1993-2001).

1994 - HAITI - Corpo expedicionário Americana para repor no Poder o
Presidente Aristide. Presidente Bill Clinton.

1995 - BOSNIA-HERZEGOVINA - Participação da NATO, para pôr fim à guerra
civil. Presidente Bill Clinton.

1998 - IRAQUE - Bombardeamentos anglo-americanos. SUDÃO - O exército
americano destroi, com mísseis, uma fábrica de produtos farmacêuticos ,
alegadamente produtora de armas químicas. Presidente Bill Clinton.

1999 - JUGOSLÁVIA - As tropas da NATO bombardeiam o Kosovo e a Sérvia.
Presidente Bill Clinton.

2001-2002 - AFEGANISTÃO - Depois do 11 de Setembro, a coligação
anglo-americana bombardeia o País, alegadamente protector do terrorista
Bin Laden. Destroçado o poder dos Taliban, é estabelecido um governo
provisório, com a missão de unificar o País. Presidente George W. Bush,
republicano no poder desde 2001.

2003 - 2ª GUERRA DO GOLFO - A coligação anglo-americana, sem autorização
da ONU, mas com o aval de alguns estados, onde se inclui Portugal,
desencadeia a guerra total contra o regime de Saddam Hussein. Forte
contestação e repúdio, tanto à escala nacional como mundial. Na altura em
que este trabalho está sendo redigido, as tropas coligadas encontram-se às
portas de Bagdad. Presidente Bush, firmemente apoiado por Tony Blair,
apesar da opinião pública britânica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todas as guerras, conflitos, intervenções e demais ingerências do
Imperialismo yankee - as danças guerreiras do Tio Sam - foram
desencadeadas sem prévia declaração oficial, como prevê a Constituição dos
EUA, à excepção da 2ª Guerra da Independência, a Guerra do México, a
Guerra Hispano-Americana e as duas Guerras Mundiais. Todos os outros
conflitos só tiveram a autorização do Congresso norte-americano.Não tivemos nem pudemos ter a pretensão de sermos exaustivos na enumeração
de todas as intervenções armadas, ordenadas por Washington. A lista de
agressões yankees apresentada não contempla guerras civis, golpes de
estado, atentados políticos e chantagens económicas, inspiradas pela CIA e
outras agências do complexo militar-industrial norte-americano. Usando
interpostas pessoas, os EUA deram a sua integral cobertura às mais
tenebrosas Ditaduras e às mais corruptas “Democracias” (ou vice-versa).Com este trabalho, julgamos ficar demonstrado que a acção dos EUA, salvo
raras e honrosas excepções, nunca teve como objectivo primordial extirpar
tiranias e construir Democracias, mas sim impor o seu domínio
político-económico e exportar a sua “American way of Life”. Os Ditadores,
salvo as tais raras e honrosas excepções, só foram derrubados quando se
tornaram incómodos e decidiram fazer a sua própria política, à revelia do
Amigo Americano.Não sabemos, nesta altura em que concluímos o presente trabalho, qual será
o destino de Saddam Hussein, e esperamos que a redacção deste jornal nos
faça o favor de preencher essa lacuna, actualizando o que não foi
possível, por ser prematuro.Fernando J. Almeida

A BATALHA N#198 : (3/4/2003)

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